domingo, 19 de junho de 2011

O menino a bola de gude e o mundo.




O mundo é como uma bolinha de gude
no atrito da força ,
espalha caoticamente
o jogo e a coisa
nada é em si,
pelo menos para o mundo
é coisa física
que dói na carne
corrói a veia
e sai levando
num movimento dolorido
onde tudo é mundo
e mundo é dor
-Uma hora para!
-Quem?
-mundo, a dor e as bolinhas
não se sabe quando
mas uma hora para!

o mundo e como uma bolinha de gude
bilhar-eia as outras
e volta para nos pegar.
Para os meninos velhos
o mundo é uma bola de gude
de tanto bater e apanhar.
É hora de deixar as bolas de gudes
ultrapassadas e ovaladas
e comprar algo
digital, moderno
fazer do mundo
um mundo novo.
sentirei falta do barulho
do chocar
do bater das bolhinhas
de ver o mundo
com o dedo ralado,
suado
sujo do asfalto da rua

[Júlio Henrique]

2 comentários:

  1. Este poema, é simplesmente compreensível.

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  2. "-Uma hora para!
    -Quem?
    -mundo, a dor e as bolinhas "
    (adoro essa parte)

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